20180507

Resenha do livro "Mapas Mentais e Memorização para Provas e Concursos"

Os mapas mentais foram oferecidos por certo tempo como uma ferramenta quase mágica, a fórmula infalível mais eficaz para o estudo. O Ponto dos Concursos lançou livros caríssimos somente de mapas mentais. Apesar das vantagens declaradas e aparente facilidade e utilidade da ferramenta, em todas as minhas tentativas de uso do mapa mental para aprimorar meus estudos nunca obtive os resultados prometidos. No fim das contas, sempre acabei achando mais útil e eficiente o modelo básico de estudar: assistir aulas, ler os materiais e resolver exercícios. Simples. Mas toda vez que me deparo com uma nova técnica que promete grandes avanços, fico com aquela pulga atrás da orelha, aquela sensação de que talvez eu esteja perdendo alguma coisa. Foi esta pequena dúvida que me fez ler o livro "Mapas Mentais e Memorização - para provas e concursos", dos autores Felipe Lima e Willian Douglas, publicado pela editora Impetus.

O livro é curto, bem fino, com letras grandes, generoso espaçamento entre linhas e muito rico em gravuras. A aparência física não promete um conteúdo profundo e denso, mas técnicas de estudo eficazes não precisam ser densas e complexas (geralmente é até melhor que sejam fáceis e simples). O autor principal é o Felipe Lima, que desenvolveu toda uma metodologia de orientação de estudos. Você pode ver mais sobre ele no site chamado Sou Genius.

A introdução do livro parece mais uma propaganda da metodologia, em que o autor explica como desenvolveu sua teoria, mostrando as vantagens do método e porque o leitor deveria utilizar a técnica. Achei que a introdução não agrega muito para o livro ou para a proposta de aprimorar os estudos. É somente uma propaganda.

A próxima parte do livro se propõe a explicar os mapas mentais e as vantagens dele. Mas como o próprio autor escreve, é possível encontrar fontes melhores sobre o assunto, mais completas e direcionadas. O livro traz alguns pontos importantes, mas nada impressionante.

Uma parte generosa do livro é dedicada a exemplos de mapas mentais. O autor defende que os mapas devem ter pouco conteúdo por folha, devem ter muitas gravuras e muitas cores. As justificativas são convincentes e coerentes, mas, novamente, isto não é novidade para quem já leu sobre mapas mentais.

A parte mais interessante do livro concentrou-se em algumas poucas páginas, em que o autor cita sua experiência com diversos estudantes, alunos seus, que aplicaram o método. Segundo o autor, a grande vantagem de usar os mapas mentais está na velocidade de revisão. Após ver o mesmo mapa repetidas vezes, com ilustrações grandes e fáceis de identificar, a revisão do mesmo assunto fica cada vez mais rápida e eventulamente pode ser feita em poucos segundos. O método poderia acelerar muito esta etapa complicada e cansativa dos estudos que é a revisão. Este argumento sozinho me convenceu a arriscar a técnica.

Atualmente tenho anotado todas as minhas aulas por meio de mapas mentais. Durante a aula eu faço um rascunho, depois eu passo a limpo, faço as ilustrações, contorno à caneta e finalizo colorindo os desenhos. Este processo é demorado e trabalhoso e um mapa bem feito pode demorar preciosos minutos. De fato, ao aplicar a técnica, notei que ficou realmente mais fácil revisar as matérias, no entanto, o tempo de trabalho realmente é um ponto que precisa ser considerado. Eu pessolmente me divirto fazendo os mapas, por isto continuo fazendo, mas o tempo de produção do mapa pode não compensar para outros estudantes.

Outro ponto negativo é a logística de guarda e revisão dos mapas. Conforme o livro, cada mapa mental deve registrado em uma folha sulfite. Imagine quanto mapas mentais seriam necessários para anotar uma matéria completa? Quantas caixas seriam necessárias para arquivá-los? Agora imagine organizar os mapas por data de criação, pois a técnica manda controlar quantas vezes você já revisou cada mapa... A descrição literal do livro me parece impraticável. No momento eu ainda não consegui organizar a metodologia do modo como proposta na obra e acho que não vou conseguir. Terei de desenvolver meu próprio método de organização.

Conclusão

A ideia do livro é boa e me convenceu a usar mapas mentais. Porém o que o livro traz não é novidade e achei o preço muito alto para o conteúdo de fato oferecido. Eu peguei este livro emprestado de um colega do trabalho, então no final compensou, mas se eu tivesse pago mais de R$50 reais nele eu ficaria bem decepcionado. Por fim, a aplicação da metodologia do modo como é descrita no livro, que eu denominei de "logística de guarda e revisão", é no mínimo incompleta. Ainda não sei como organizar fisicamente e revisar periodicamente os mapas de maneira eficiente. A quantidade enorme de mapas necessária para cobrir todas as disciplinas torna a organização impossível.