20160315

Pílulas da Inteligência

Na busca por vantagens na preparação para concursos, muita gente visualiza nos remédios uma oportunidade para intensificar a produtividade nos estudos. Recentemente vi uma propaganda na internet de um remédio milagroso que, apesar de seu funcionamento ser pouco compreendido, seus resultados seriam inegáveis e comprovados. Certamente que uma notícia dessa chama a atenção, ao mesmo tempo em que nosso radar pessoal já nos alerta de que se trata, provavelmente, de uma farsa. Aliás, os golpes costumam ter esta estrutura: uma promessa suficientemente sedutora para suspender nossa capacidade de julgamento, acompanhada de uma justificativa qualquer que pouco precisa ser explicada. Como em qualquer golpe, a intenção aqui é prometer algo tão irresistível que a vítima pouco se importa com a incoerência da explicação.

Quem não gostaria de tomar uma pílula que garantisse melhores rendimentos nos estudos e melhor desempenho nas provas? Claro que efeitos colaterais poderiam vir, mas para quem fica deslumbrado isto pouco importa, aliás, torna mais exclusivo e ousado, gerando a sensação de vantagem e de risco compensador. Não experimentar, por outro lado, gera a sensação de que se está perdendo ou ficando para trás. Assim, apesar das contraindicações explícitas, muita gente opta por se arriscar e experimentar tais remédios indevidamente.

Diversas substâncias químicas que afetam nosso cérebro são utilizadas normalmente no dia a dia, como a cafeína ou o álcool. Já existem, inclusive, laboratórios farmacêuticos criados especialmente para produzir remédios que promovam o aumento de produtividade de pessoas saudáveis, mas, até o momento, não há medicação aprovada neste sentido.


Multivitamínicos e Omega 3

O Omega 3 é uma substância associada à composição das células neurais e muitos acreditam que sua ingestão pode ajudar no desempenho do cérebro e da memória. No entanto, em pesquisa rápida na internet, encontrei dois estudos de Harvard que apontam para outra direção. Um deles examinou a relação entre a ingestão de óleo de peixe rico em Omega 3 com a taxa de suicídio em uma dada população. O estudo não encontrou relação significativa entre a ingestão do Ômega 3 e melhoria na saúde mental (No mental health benefit from fish oil). Na outra pesquisa, a dieta de Omega 3 afetou pouco ou nada a memória de um grupo de idosos (Fish oil supplements may not improve memory). Para Frank Hu, professor de nutrição e epidemiologia da Escola de Saúde Pública de Harvard, uma dieta nutritiva e a prática de atividades físicas são melhores para a saúde do cérebro do que a simples ingestão de suplementos.

Multivitamínicos são vistos por alguns como complementadores de uma dieta deficiente, mas muitos especialistas questionam os verdadeiros benefícios destes suplementos, tendo em vista não haver comprovação suficiente de que melhorem a saúde (Vitamins). Vale ressaltar que a ingestão exagerada de qualquer substância deve ser evitada e que a automedicação é totalmente contra indicada.

Conclusão

Se ainda não foi criado o remédio que irá salvá-lo de sua própria indisciplina, a solução é utilizar-se dos métodos convencionais de estudo: motivação, bons materiais, bons professores e muita dedicação. Passar em concursos leva tempo e não será um remédio que o livrará do verdadeiro custo desta empreitada. A dica é manter uma boa saúde mental e física pelos modos tradicionais, para ter a disposição necessária para estudar da forma mais eficiente possível.

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