20150112

A Fórmula da Produtividade


De vez em quando (ou quase sempre) nos deparamos com uma preguiça monstruosa que nos acorrenta na cama e nos impede de batalhar mais um dia em busca de nossas metas. Mesmo investindo toda nossa energia e esforço numa tarefa, às vezes ela simplesmente não sai. Não estou falando aqui de processos criativos em que a inspiração é fator essencial, mas sim de um estudo metódico, repetitivo e disciplinado. A força de vontade e a determinação em passar podem não ser suficientes para superar o grande obstáculo do cansaço, desânimo, desmotivação, medo, dentre outros.

Um vídeo bem interessante do canal AsapScience (em inglês) nos mostra que iniciar um projeto costuma ser a parte mais difícil para completá-lo. Contemplar o sofrimento, as dificuldades e a imensidão de um projeto de longo prazo pode ser paralisante e o ato de começar torna-se muito cansativo e pesado, porque demanda um compromentimento com o objetivo final. Entretanto, uma vez iniciado o processo, a escolha de começar foi feita e a parte mais difícil já passou. Nosso cerébro, após esta primeira etapa, esquece do sofrimento futuro e se foca em terminar o trabalho. É como se nosso lado obssessivo tomasse a frente e atropelasse a procrastinação: pessoas que iniciam uma atividade tendem a querer terminá-la de alguma forma, mesmo que seja mais custoso terminar do que desistir.

Um experimento descrito em um manual de psicologia social fez a seguinte pergunta para os sujeitos: imagine que você comprou um pacote de viagem na praia numa ótima promoção e está preste a viajar. No entanto, fica sabendo pouco antes da viagem que o tempo estará péssimo e que provavelmente não poderá curtir a praia. Você opta por desistir da viagem ou vai mesmo assim, pois não quer "desperdiçar" o pacote que já foi comprado? Bem, independente do que o caro leito faria, o estudo concluiu que a maior parte das pessoas iria na viagem mesmo assim, afirmando que se sentiriam mal se não fossem e que, quem sabe, a viagem pudesse ser boa mesmo assim. Mas por que sentir-se mal? Bem, uma vez que a escolha foi feita e o pagamento efetuado, o sujeito se comprometeu com a decisão. É mais custoso abandonar o barco no meio do que suportar as consequências, mesmo que negativas, da própria decisão. Se você, leitor ou leitora, se comprometeu seriamente em estudar para concursos, desistir no meio causaria um sofrimento horrível, mesmo que, em termos objetivos, pudesse ser uma boa ideia.

Em um outro estudo, os pesquisadores confrontavam os pesquisados com a seguinte situação hipotética: um prédio teve sua construção iniciada, com custo estimado em um milhão de reais. No entanto, por questões burocráticas, a verba de um milhão de reais acabou antes da hora e a construção do prédio ficou incompleta. Anos depois, com uma máquina burocrática mais eficiente, o prédio poderia ser finalizado por um custo adicional de um milhão de reais. Entretanto, com as novas tecnologias disponíveis, um prédio inteiramente novo poderia ser construído do zero por este mesmo valor de um milhão. Afinal, perguntavam os pesquisadores aos entrevistados, qual seria a melhor opção? A conclusão foi a mesma que a do estudo anterior: diante de um investimento anteriormente realizado, em média as pessoas tendiam a valorizar o que já fora feito.

O que quero dizer com isto? Bem, eu sei que motivação é algo que se precisa renovar constantemente, porque ela se esgota. Se não nos dermos ao trabalho de nos lembrar porque estamos fazendo alguma coisa acabamos perdendo o entusiasmo e nos perdendo na monotonia e no marasmo da rotina. No entanto, motivação sozinha não vai magicamente fazer a preguiça desaperecer. É preciso tomar a decisão, tomar a iniciativa, começar o processo. A motivação é o gatilho, a faísca, o disparador. Ela inicia o processo de trabalho. A motivação é a faísca e o trabalho o combustível. E é o esforço do trabalho duro que gerará os resultados almejados. Uma vez que as engrenagens do nosso cérebro começam a rodar, nossa mente nos ajuda com suas próprias artimanhas. Nosso próprio cerébro nos empurra para frente, para superar nossas metas, nos protegendo de pensamentos que possam impedir o prazer de conquistar a meta definida. É o princípio da inércia empurrando nosso espírito para frente - até terminarmos a tarefa com a qual nos comprometemos.


Boa sorte e bons estudos!!





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