20140327

Os 7 Medos Básicos e Como Superá-los


Todos sabemos que estudar é a parte mais importante do processo para a aprovação em um concurso público. O problema é que mesmo fazendo tudo certo, tendo o tempo, dinheiro e apoio dos familiares e amigos, ainda assim pode ser muito difícil manter o foco nas leituras e aulas. É como se, quanto mais a gente se esforça para prestar atenção, mais difícil fica.

Uma das razões da falta de foco é a lembrança constante do medo do fracasso e das consequências negativas que advirão dele. Afinal, quando temos tudo a nosso favor, parece que a responsabilidade aumenta e temos quase uma obrigação de sermos bem sucedidos. Uma das formas de se superar este padrão é reconhecer quais são seus maiores medos, tornar-se consicente deles e à partir daí tentar racionalizá-los. Assim, quando o pensamento negativo que provoca o medo aparece, você terá uma ferramenta a mais para respirar e manter-se firme nos seus objetivos.

Napoleon Hill, em As Chaves para o Sucesso, lista 7 medos básicos que podem atrapalhar nosso caminho e indica modos de enfrentá-los:


Primeiro Medo: Pobreza


"Não se pode desenvolver músculos sem usá-los, não se pode aumentar o capital sem investi-lo." - Napoleon Hill

Um dos medos mais comuns entre os brasileiros é o medo do desemprego. O dinheiro na nossa sociedade representa muito mais do que os objetos de consumo que ele pode comprar. É um indicativo da posição social e pode ser confundido com o nosso próprio valor dentro da sociedade.

Para superar o medo da pobreza é preciso assumir uma atitude positiva e ambiciosa, aprender a tomar decisões e responsabilizar-se pelas falhas. É impossível consquistar grandes objetivos sem investir e correr riscos, e o único modo de superar o medo do risco é aceitando sua inevitabilidade e assumindo total responsabilidade pelas próprias escolhas.


Segundo Medo: Críticas


"Eu vivi... e você também, apesar de sua cara e de sua maneira de falar, como se fosse dessas pessoas que esperam asas, para poder mover-se sem tocar a lama do solo. E se há lama! E eu não tenho asas! Estou aqui porque tive medo uma vez na minha vida." - Joseph Conrad

A vergonha, o medo do julgamento dos outros, o medo da rejeição e da solidão. O medo excessivo das críticas pode desintegrar nossa autenticidade e retirar qualquer possibilidade de fé na própria capacidade de julgar o mérito das coisas.

Para Napoleon Hill, pessoas que se preocupam demais em comparar-se com os outros, que têm o hábito de gabar-se de suas realizações, ou que sentem-se envergonhadas com muita facilidade, no fundo apresentam este medo básico como causa de seus comportamentos. Para superá-los é preciso ser humilde, ter sempre em mente os seus objetivos de longo prazo e orgulhar-se de ser você mesmo, agradecendo todos os dias por tudo de bom que possui.


Terceiro Medo: Doenças


"Depois que você leva alguns socos e percebe que não é feito de vidro, você não se sente vivo a menos que se force ao máximo que aguentar." - do Filme Greenstreet Hooligans (tradução livre)

Sempre que eu assisto na televisão sobre uma doença, eu sinto levemente algum dos sintomas descritos. Parece que é um instinto natural procurar os sintomas no nosso próprio corpo. Mas às vezes exageramos e começamos a achar que sempre estamos doentes ou que podemos ficar doentes a qualquer momento com qualquer coisa. De repente estamos adotando comportamentos exagerados, sentimo-nos cansados com frequência, achamos que tudo está contaminado e nunca nos expomos a situações que ameacem nossa saúde, mesmo sendo algo trivial ou mesmo necessário.

A verdade é que nosso corpo não é de ferro, mas também não é de vidro. Ele aguenta muito. Os sintomas do medo da doença são a mania de farmácia, o hábito da autopiedade e o abuso de substâncias químicas. Em todos os casos busca-se aliviar ou anestesiar alguma sensação interna desagradável. É a fuga da responsabilidade, da dor, ou do medo. Superar o medo da doença gera uma atitude mais ativa e voltada para a vida.


Quarto Medo: Perda do Amor


"A vergonha pode ser facilmente compreendida como o medo do não relacionamento: há algo sobre mim que, se outras pessoas ficarem sabendo ou virem, eu não serei digno de contato social?"- Brené Brown (tradução livre)

O próprio título já explica tudo. É algo facilmente compreensível, afinal, quem nunca sentiu este medo? O ponto é que concentrar-se no medo só atrapalha o relacionamento. O segredo é esforçar-se para tornar os momentos agradáveis e positivos, buscar aquilo que valorizamos e investir menos no medo de perder o que já temos. Às vezes recorremos a artimanhas cruéis para manter um relacionamento que não está dando mais certo. Ao invés de tentar torná-lo melhor, ou simplesmente dar o espaço necessário para que se desenvolva para algo melhor, o medo da perda nos faz agir de modo mesquinho e acabamos por destruir algo que nos era tão caro.


Quinto Medo: Velhice


"Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!"
- Casimiro de Abreu

Você se sente velho hoje? Imagine daqui a dez anos. Você se sentia velho há dez anos atrás? Algumas pessoas têm o hábito de se sentirem atrasadas e sempre acham que deveriam estar em outro tempo ou de outro jeito do que estão agora. Tem gente que diz que nasceu na época errada e não percebe que vivemos no presente e o tempo não volta atrás. A idade só avança. Você está tão jovem quanto jamais estará, não dá para ficar mais novo que isso.

Quem se sente velho fica cansado toda hora e diminui o ritmo da vida para se sentir sempre inferior, como se os melhores momentos e oportunidades ficassem para trás. São viciados em nostalgia e não no que o presente tem a oferecer. Não que o passado não seja digno de memória, mas ele pertence ao passado e só terá valor se aproveitado como experiência e sabedoria a ser aplicada no presente.

Napoleon Hill sugere que se enfrente esse medo com humor, lembrando com gosto o tempo passado, mas sem desvalorizar o que ainda pode vir. A vida só acontece no tempo presente e ela é tudo que temos.


Sexto Medo: Perda da Liberdade


"Nos portões da cidade e à beira do vosso fogo, vos vi prostrar-vos e louvar a vossa própria liberdade.

Como escravos se humilham perante um tirano e o louvam, apesar dele maltratá-los.

Sim, no interior do templo e nas sombras da cidadela, vi os mais livres entre vós usar a sua liberdade como uma corrente e um par de algemas.

E meu coração sangrou dentro de mim: pois vós só podereis ser livres quando o desejo de buscar a liberdade tornar-se uma canga e quando cessardes de falar de liberdade como um objetivo e uma meta a ser atingida.

Só sereis verdadeiramente livres não quando vossos dias não tiverem uma única preocupação, e vossas noites não tiverem uma única necessidade e uma tristeza.

Mas quando estas coisas sujeitarem a vossa vida e mesmo assim vos elevardes sobre elas, sem vestes e sem amarras."

-Khalil Gibran

O medo da liberdade, ou de perdê-la, pode tornar-se um peso aprisionador. A liberdade aparece muitas vezes como contraponto da segurança e da aceitação social. Para sermos aceitos num grupo, precisamos abrir mão de algumas liberdades. Da mesma forma acontece numa relacionamento a dois. Ao mesmo tempo, sentimo-nos solitários se valorizarmos demais nossa liberdade e esquercermos que ninguém pode viver completamente só.

Defender a liberdade pode ser uma maneira de defender nossa própria identidade, ou pelo menos nosso direito de ter uma identidade autônoma. Por isso, uma das formas de superar este medo é defender as instituições que pregam oas valores da liberdade, pois assim sentirá que ao menos o direito estará assegurado.


Sétimo Medo: Morte


"Há somente um Deus e seu nome é Morte. E há somente uma coisa que dizemos à morte: Hoje não."- George R.R. Martin (tradução livre)

O medo da morte pode ser o mais significativo no plano das análises simbólicas. O medo da morte tem o poder de imobilizar a vida e impedir que ela transcorra antes mesmo da própria morte vir a ocorrer. Ter medo da morte pode nos ajudar a evitar situações de exagerado risco, pois queremos preservar nossa vida. Mas pode também nos paralisar e impedir que tenhamos experiências positivas que fazem a vida valer a pena.

A superação deste medo é uma mistura de todos os anteriores. Aceitando a inevitabilidade da morte, assumindo as próprias escolhas e suas consequências, vivendo no presente e aceitando a vida como ela é. Protestar quando couber, claro. Arrepender-se quando achar que deve, lutar pelo que acredita, viver cada momento sabendo que não se pode viver para sempre e que o tempo não volta atrás. Dar menos espaço para o remorso e investir no otimismo e na construção dos objetivos almejados. Viver um dia de cada vez.




Créditos da Imagem: By D Sharon Pruitt [CC-BY-2.0], via Wikimedia Commons



Citações no idioma original:

"I've lived—and so did you, though you talk as if you were one of those people that should have wings so as to go about without touching the dirty earth. Well—it is dirty. I haven't got any wings. I am here because I was afraid once in my life." - Joseph Conrad

"Once you've taken a few punches and realise you're not made of glass, you don't feel alive unless you're pushing yourself as far as you can go." - from the Movie Greenstreet Hooligans

"And shame is really easily understood as the fear of disconnection: Is there something about me that, if other people know it or see it, that I won't be worthy of connection?" - Brené Brown

“There is only one god and his name is Death. And there is only one thing we say to Death: “Not today.”
- George R.R. Martin